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Parceria irá orientar produtores sobre ações de bem estar para animais de produção
20/07/2021 09:41 em Agronegócios

 

JORNAL DA ILHA - Agronegócios

Ilha Solteira - JPesquisadores dos câmpus de Ilha Solteira e Jaboticabal irão orientar produtores rurais sobre manejo de animais de produção com vistas ao seu bem-estar. A iniciativa é produto de uma parceria estabelecida com o setor privado que, por meio de treinamentos técnicos e outras atividades, irá levar ao campo o conhecimento produzido pela Unesp na área de bem-estar animal. 

Responsável pelo desenvolvimento de artifícios para melhorar a qualidade de vida de animais de produção, o grupo de pesquisa INOBIO-MANERA estabeleceu em julho uma parceria com a Marfrig, a segunda maior companhia de proteína bovina do Brasil. Em um primeiro momento, a iniciativa vai abordar cuidados no transporte e no manejo pré-abate dos animais, mas o objetivo geral é melhorar a interação entre as pessoas e os animais ao longo da cadeia produtiva da empresa durante um ano. 

Segundo um dos coordenadores do grupo, o professor Marcos Chiquitelli, da Faculdade de Engenharia (FEIS) da Unesp, no câmpus de Ilha Solteira, a ideia é que a equipe faça pesquisas e promova treinamentos técnicos para otimizar a eficiência da atividade pecuária a partir de ações alinhadas ao desenvolvimento sustentável. “As ações promovidas vão desde a realização de levantamentos técnicos e desenvolvimento de modelagem estatística para identificação de problemas relacionados ao transporte e ao manejo pré-abate, até a aplicação de conceitos de responsabilidade ambiental dentro da planta frigorífica”, explica.

Embora não seja a primeira parceria do INOBIO-MANERA, que já trabalha em conjunto com a iniciativa privada há anos, é a primeira vez que o frigorífico estabelece convênio com uma universidade para aplicar conceitos científicos em dados e ações reais de campo. “Estar com essa companhia nos dará liberdade para avançarmos ainda mais na interação com os animais de produção. Isso vai gerar possibilidades para que vários alunos desenvolvam trabalhos de mestrado e doutorado”, diz Marcos.

O grupo desenvolve pesquisas e gera tecnologias em duas áreas da ciência. A primeira delas é a Biometeorologia Animal, que estuda a influência do tempo e do clima sobre os animais em geral. Na pecuária, determinadas circunstâncias climáticas podem prejudicar o processo produtivo. Isso porque quando os animais são expostos a variações de calor abruptas, grande parte da energia de seus organismos acaba sendo destinada à manutenção da temperatura corporal, não às atividades de produção.

O que os pesquisadores se propõem a fazer é desenvolver ambientes com condições adequadas de temperatura para que esses animais possam ser criados e produzir dentro do que se chama de zona de conforto térmico. “Quando criamos um animal dentro de uma instalação, nós oferecemos as condições de temperatura e umidade que favorecem as trocas térmicas desses indivíduos para que eles possam manter o seu equilíbrio térmico. Se eles o mantêm de forma adequada, então podem utilizar a maior parte da energia vinda dos alimentos para aspectos de desenvolvimento e crescimento, não de termorregulação”, explica o professor Alex Maia, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp em Jaboticabal, que também coordena a equipe.

Em consonância com a primeira, a segunda área, a do Bem-Estar Animal, como o nome sugere, dedica-se a estudar condições para que as necessidades básicas dos animais de produção sejam atendidas. Nesse sentido, a equipe atua na promoção da qualidade de vida desses animais não só na esfera física, mas também na psicológica e comportamental. “Não se trata apenas de pensar no manejo e na alimentação dos animais. O grupo trabalha com toda uma gama de elementos que envolvem a vida dos indivíduos na fazenda”, diz Marcos.

“Nossa função como profissionais da área é mostrar, não só às pessoas que não conhecem o ramo, mas também aos produtores e profissionais ligados diretamente à pecuária, que tratar bem os animais pode fazer com que essas pessoas possam, além de receber uma resposta mais positiva de seus consumidores, se beneficiar financeiramente, pois os animais podem gerar mais dividendos: produzir mais e com menos investimento”, completa.

whatsapp-image-2021-07-19-at-16.44.26.jpegParte dos integrantes do grupo de pesquisa INOBIO-MANERA reunida em encontro. (Arquivo pessoal)

Fique Sabendo

O grupo foi criado em meados de 2013 a partir da fusão de duas equipes que trabalhavam separadamente no passado: o INOBIO (Inovação em Biometeorologia) e o MANERA (Núcleo de Manejo Racional), coordenados, respectivamente, pelos próprios professores Alex e Marcos. “A partir de uma série de ações pontuais que foram ocorrendo entre 2002 e 2013, nós entendemos que seria muito útil para a ciência que os grupos se juntassem”, explica Marcos.

Desde o início, os dois grupos atuavam em campos da vida acadêmica que, embora sejam distintos, conversam muito entre si. O INOBIO, criado em 2011, possuía uma equipe de pós-graduandos bem estabelecida, razão pela qual concentrava seus esforços no desenvolvimento de pesquisas científicas. Concebido em 2006, o MANERA, por outro lado, sem participação efetiva nos programas de pós-graduação, voltava-se diretamente às atividades de extensão, aplicando o conhecimento produzido dentro da universidade no ramo agropecuário.

Reunidos em uma única equipe, os pesquisadores de Jaboticabal e Ilha Solteira alinharam seus trabalhos e começaram a promover em conjunto trabalhos tanto de pesquisa, quanto de campo. “Nós entendemos que a fusão faria com que as ações de cada grupo se potencializassem”, diz. Desde então, a parceria tem sido frutífera, segundo o professor. “A junção tem se mostrado muito efetiva, com a evolução crescente não só de publicações de pesquisa, mas também de aplicações de tecnologias no campo”.

No ano passado, o grupo recebeu prêmio de destaque de 2019 da Sociedade Americana de Engenheiros Agrícolas e Biólogos (ASABE, na sigla em inglês) por uma pesquisa publicada naquele ano pelo periódico Transactions of the ASABE. Em parceria com a Universidade Cornell, dos Estados Unidos, a equipe empregou técnicas inovadoras para otimizar a potência de lâmpadas utilizadas para aquecer leitões recém-nascidos — que requerem, por natureza, temperaturas elevadas, entre 32º e 35ºC, para atingirem estado de conforto térmico — reduzindo, ao mesmo tempo, o consumo de energia elétrica.

Hoje, o INOBIO-MANERA é composto por alunos tanto da graduação, quanto da pós-graduação e por professores de outras universidades. Em Ilha Solteira, as atividades de campo promovidas pelo grupo são realizadas por 13 graduandos. “Apesar da pandemia, os alunos permanecem realizando os trabalhos utilizando o padrão de segurança preconizado pela instituição”, diz Marcos. Em Jaboticabal, oito pós-graduandos, entre eles quatro mestrandos e quatro doutorandos, conduzem as ações de pesquisa da equipe.

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